Ser Bipolar ta no sangue
A poucos dias descobri que sou Bipolar, faz tempo que convivo com os sintomas mas não tinha tempo pra denomina-las. Talvez pela correria dos meus pensamentos, por estar tão envolvida com várias coisas, ou por tentar ser auto-suficiente, sei lá o fato é que cansei. Cansei de estar sempre acelerada, de querer abraçar tudo e todos, cansei de correr contra o tempo, correr por nada, cansei de deixar tudo inacabado.
Sou uma Bipolar Leve, uma versão atenuada dos bipolares. Sou assim por ter momentos de alegrias, ser autoconfiante, ter uma energia extrema, ser criativa por horas, períodos curtos e depois cair num desanimo que contagia o resto dos meus dias.
Dizem que as palavras de um bipolar mudam, tudo fica extremamente excessiiiiivo, tudo é o máaaaaximo, um horrorrrrrr, maravilhoooooso, como se não houvesse meio termo. Dizem que o bom disso é que tudo é vivido intensamente. Quando o polo for o de cima, pode haver muita alegria, felicidade e satisfação, mas quando o polo for o inferior sai de baixo, o negativismo toma conta e o impacto emocional fica muito pesado. O sofrimento que toma conta de mim me faz cair em depressão é uma luta entre o pensamento e as emoções.
Tenho gastos excessivos, compro demasiadamente coisas sem necessidades. Sou impulsiva ao extremo, quando ponho algo na cabeça vou até o fim, não descanso enquanto não acabar ou conseguir realizar o que me proponho.
Há pessoas que encaram essa vontade extrema de criar, inovar, investir e conquistar como algo muito bom, uma motivação, estar sempre em movimento, mas pelo contrário isso quando demasiadamente explorado provoca uma falta de controle, onde acabo me prejudicando, pois não mede-se limites pra alcançar o que se quer.
Vivia em fuga, alucinada, preenchendo meu tempo com qualquer atividade tudo pra fugir do silêncio, ou então era como se estivesse faltando algo, uma eterna insatisfação, insegurança, ou medo talvez da solidão. Cheguei ao máximo do meu limite, cansei, me vi sufocada, encurralada, abandonei tudo, já não queria ver minhas contas, minha família, meus cachorros, minha casa, meus alunos, fiquei agressiva, ansiosa, não conseguia me concentrar, não parava mais em sala de aula. Resolvi aceitar ajuda antes que o pior acontecesse.
Afirmar que a bipolaridade está no sangue, pois é uma herança de família, meu pai é um caso confirmado e bem mais grave do que o meu. Minha vó é com toda certeza, mas talvez pela idade se confunda com caduquice.
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